Como vimos na Parte III deste mini-curso, na microscopia luminosa propriamente dita, também chamada de microscopia de campo claro, o objeto analisado apresenta-se escuro e o ambiente ao redor brilhantemente iluminado. Na microscopia de campo escuro, ocorre o inverso, ou seja, o objeto apresenta-se brilhantemente iluminado, em contraste com o fundo escuro.

Para conseguir seu objetivo, a técnica de microscopia de campo escuro faz uso de um tipo especial de condensador, capaz de fazer com que somente os raios luminosos que atingirem um objeto na lâmina entrem na objetiva.

Caso a lâmina contenha somente material transparente, como soro fisiológico ou água purificada, a luz será desviada e não entrará na objetiva. Neste caso, ao observarmos pela ocular, o campo aparecerá totalmente escuro.

Contudo, se a lâmina contiver algum objeto com índice de refração diferente do meio, haverá uma dispersão da luz por reflexão e refração, fazendo com que a luz incida sobre o objeto e entre na objetiva. Neste caso, ao observarmos pela ocular, o objeto aparecerá iluminado e o fundo escuro.

O condensador que a microscopia de campo escuro utiliza se chama condensador cardióide e pode ser de dois tipos: seco e úmido. O tipo úmido exige um meio líquido entre a objetiva e a lâmina, ao passo que o tipo seco não precisa. O tipo úmido fornece imagens mais nítidas, ao contrário do tipo seco. Por essa razão, o tipo mais utilizado é o tipo úmido e o líquido utilizado entre a lâmina e a objetiva é o óleo de imersão.

A microscopia de campo escuro é útil quando precisamos analisar células, componentes ou microrganismos não corados. Um exemplo de aplicação é a observação de bactérias que não podem ser coradas adequadamente por meios convencionais, como a Borrelia burgdorferi, que infecta um tipo de carrapato e causa a doença de Lyme em humanos.

Fique atento para o próximo artigo: microscopia ultra-violeta.