Apenas duas de três espécies do gênero Staphylococcus, S. aureus e S. epidermidis, têm importância médica. Staphylococcus aureus é a espécie patogênica, ao passo que Staphylococcus epidermidis raramente causa infecções humanas, sendo um patógeno oportunista em pessoas com sistema imune comprometido.


Resistência

Staphylococcus são um dos cocos não formadores de esporos mais resistentes. Alguns podem suportar uma temperatura de 60 ºC por 30 minutos e o contato com uma solução de fenol 1% por 15 minutos. Eles permanecem como células viáveis quando refrigerados ou até mesmo dessecados por até vários meses. A maioria das amostras de Staphylococcus aureus cresce na presença de altas concentrações de cloreto de sódio (10 a 15%) e resistem à ação dos sais biliares.

Há muito tempo atrás, os Staphylococcus eram sensíveis à penicilina, porém mais recentemente, o desenvolvimento de cepas resistentes a antibióticos tem causado um problema sério de saúde pública. Em geral, as cepas predominantes são sensíveis a antibióticos, mas há um número crescente de cepas resistentes a antibióticos em hospitais. Cerca de 80% dos Staphylococcus isolados de pacientes infectados em hospitais são resistentes à penicilina, estreptomicina, tetraciclina, oxacilina e até mesmo meticilina. De fato, Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina (MRSA, do inglês Methicillin-Resistant Staphylococcus aureus), Staphylococcus aureus Resistente à Oxacilina (ORSA, do inglês Oxacillin- Resistant Staphylococcus aureus) e Staphylococcus aureus que são resistentes a vários antibióticos ou Staphylococcus aureus multi-resistentes são denominados super germes.

Produtos Metabólicos

O Staphylococcus aureus produz várias toxinas filtráveis quando cultivado em condições apropriadas, especialmente em uma atmosfera rica em CO2. As diferentes toxinas produzidas são discutidas nos próximos parágrafos.

Alfa (α)-hemolisina: é altamente ativa contra hemácias de coelhos, causando lise a 37 ºC. É moderadamente ativa contra hemácias de carneiros e inativa contra hemácias humanas. Uma vez que praticamente todas as amostras de Staphylococcus aureus, recentemente isoladas de infecções humanas produzem α-hemolisina, a síntese desta enzima é uma forte sugestão de patogenicidade, embora não seja conclusiva para fins de identificação porque os Streptococcus também produzem esta enzima.

Beta (β)-hemolisina: ela age nas hemácias de carneiros, de gado e de seres humanos, mas não nas de coelhos. Esta enzima é muito menos tóxica que a α-hemolisina para animais de laboratório e é produzida tanto em condições aeróbicas quanto anaeróbicas.

Gama (γ) e Delta (δ)-hemolisina: elas são isoladas e identificadas como produtos metabólicos de Staphylococcus, mas suas reações são bem diferentes das anteriores. Elas não são tão bem conhecidas quanto as α e β-hemolisinas.

Leucocidina: outro produto filtrável de Staphylococcus, conhecida por sua ação destrutiva contra leucócitos.

Coagulase: é sintetizada por Staphylococcus aureus e não por Staphylococcus epidermidis. Por esta razão, o teste de coagulase é frequentemente utilizado como método de identificação bacteriana a fim de diferenciar S. aureus de Staphylococcus Coagulase Negativos (SCN). Hoje em dia, os SCN representam os agentes mais comuns de infecções clínicas, junto com S. aureus. Os Staphylococcus produzem uma pró-coagulase que reage com um co-fator em plasma citratados ou oxalatados de coelhos ou seres humanos, resultando em um agente enzimático ativo responsável pela coagulação plasmática. A produção de coagulase é facilmente demonstrável pela mistura de uma suspensão de Staphylococcus aureus com plasma diluído.


Fibrinolisina: é outro fator produzido por algumas amostras de S. aureus, causando a digestão de fibrina humana, de cachorros, de ratos e de carneiros.