Streptococcus pyogenes (estreptococos do grupo A) é um dos principais patógenos restritos aos seres humanos. Ele possui uma proteína M ancora à superfície que é essencial para a virulência e colonização, por inibir a fagocitose ex vivo. Como pouca coisa é conhecida sobre o papel da proteína M de Streptococcus pyogenes in vivo, Waldemarsson et al analisaram a contribuição de diferentes regiões da proteína M para a virulência, utilizando a proteína M5 ligadora ao fibrinogênio (Fg) e um modelo de camundongos com infecção invasiva aguda. A proteína M5 de Streptococcus pyogenes pode ser dividida em três regiões distintas: a região hiper-variável N-terminal (HVR), a região B-repetitiva e a região C-repetitiva.


Em uma primeira etapa, camundongos foram infectados com o tipo selvagem de Streptococcus pyogenes, contendo a proteína M5 intacta, ou com um mutante faltando a proteína M5 inteira; os resultados demonstraram que todos os camundongos infectados com a cepa selvagem de Streptococcus pyogenes sucumbiram à infecção, ao passo que todos os camundongos infectados com as cepas mutantes sobreviveram.

Em uma segunda etapa, os camundongos foram infectados com cepas mutantes de Streptococcus pyogenes e os resultados mostraram claramente que os mutantes sem a região HVR ou a B-repetitiva tiveram a infecção fortemente atenuada, enquanto um mutante de Streptococcus pyogenes sem a região conservada C-repetitiva teve a infecção apenas levemente atenuada.

Porque a região HVR da proteína M5 de Streptococcus pyogenes não é necessária para a resistência à fagocitose, os dados indicam que a região HVR desempenha um importante, mas desconhecido papel durante a infecção aguda. A região B-repetitiva do Streptococcus pyogenes é necessária para a resistência à fagocitose e especificamente se liga ao Fg, sugerindo que ela promove a virulência se ligando ao Fg.

De acordo com Waldemarsson et al, “estes dados demonstram que duas regiões distintas da M5, incluindo a HVR, são essenciais para a virulência durante os estágios iniciais de uma infecção. Em particular, nossos dados fornecem a primeira evidência in vivo que a HVR de uma proteína M desempenha um papel principal na virulência, focando interesse no papel molecular desta região”.