Apesar de descrita há mais de 200 anos (1884) por Christian Gram, a coloração de Gram é uma ferramenta rápida e barata de diagnóstico do tipo de parede celular da bactéria em estudo, ainda amplamente utilizada.
A técnica consiste basicamente nas seguintes etapas:
- Preparar uma lâmina de vidro com uma fina camada de bactérias fixa (esfregaço);
- Cobrir o esfregaço com cristal violeta por 1 minuto. Enxaguar em água corrente;
- Cobrir com lugol por 1 minuto. Enxaguar em água corrente;
- Descorar com solução de álcool-acetona por 30 segundos. Enxaguar em água corrente;
- Contra-corar com safranina (ou fucsina) por 30 segundos. Enxaguar em água corrente.
- Deixar secar ao ar.
Já uma bactéria do tipo Gram positiva possui uma parede celular capaz de reter o cristal violeta, e por isso adquire coloração roxa ao microscópio.
Veja no esquema abaixo os passos da coloração e o que acontece a nível microscópico:
A figura abaixo mostra exemplos de bactérias, como são vistas ao microscópio, após sofrerem a coloração de Gram:
A coloração de Gram se baseia em algumas diferenças estruturais existentes entre a parede celular de uma bactéria Gram negativa e de uma Gram positiva. A principal delas é que a parede celular de uma bactéria Gram positiva, embora mais espessa, é quimicamente mais simples, ou seja, apresenta predominantemente um único tipo de macromolécula (90% peptidioglicano). Veja figura abaixo:
Já a parede celular de uma bactéria Gram negativa é mais complexa. É formada por uma ou poucas camadas de peptidioglicano e por uma membrana externa, separadas entre si por um espaço periplásmico, contendo uma série de enzimas e proteínas. Enquanto nas Gram positivas o peptidioglicano representa de 15 a 50% da massa seca da célula, nas Gram negativas ele representa no máximo 5%.
Essas informações são importantes, pois é a quantidade de interligações existentes entre as cadeias de peptidioglicano e o comprimento dessas cadeias que determinará a forma da célula, e conseqüentemente, a forma da bactéria.Tanto as Gram positivas quanto as Gram negativas possuem, no entanto, uma característica em comum: suas membranas são constituídas de uma bicamada fosfolipídica.













